domingo, 19 de outubro de 2008

Índios, bandeirantes e tropeiros, construíram a história

Praça São Sebastião "Óleo sobre duratex" autor Eurípedes V. de Castilho"

Índios, bandeirantes e tropeiros, construíram a história da “nossa gente, dessa boa terra.” Em 1.722, quarenta anos mais tarde depois do Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, que entre outras, já havia passado por Minas Gerais, estabelecido em Sabará (1701) e depois em Pitangui (1709), foi também um dos idealizadores da Guerra dos Emboabas. Agora de volta à São Paulo em julho de 1.722, a pedido de D. Rodrigo César de Meneses, Capitão Geral da Capitania de São Vicente, ambos estabeleceram ajuste de uma bandeira para localizar e explorar as riquezas dos Goyazes, que fora anunciada entre outros bandeirantes, a do seu próprio pai. Assim o fez e, só retorna a São Paulo em 21-X-1723. Registra-se que dessa primeira investida não obteve sucesso algum, porém meses depois organizou-se uma nova expedição para explorar os ditos veios auríferos. Bartolomeu Bueno e João Leite da Silva Ortiz seu cunhado, recebem de D. Rodrigo César de Menezes a Carta de Sesmaria, em 2 de julho de 1.726. Era comum (lei) o domínio português autorizar, através dos Governadores das Capitanias Hereditárias, aos bandeirantes explorarem as riquezas que encontrassem e em troca de tal privilégio a Coroa Portuguesa cobrava o Quinto.
Munido de tais privilégios, registra a história que o famoso Bartolomeu Bueno da Silva saíra da Vila de Piratininga, com uma tropa de 152 homens armados, acompanhados de dois religiosos bentos e providos de 39 cavalos, seguem a rota de volta para as minas do centro oeste brasileiro. Em meio as matas, atravessando rios e seguindo trilhas antes marcadas pelos índios. Encontrado então, desta vez próximo a serra Dourada, as diversas minas de ouro, funda o primeiro povoado em terras dos Goyazes, com o nome de Núcleo da Barra. Mais tarde, a pouca distância dali, às margens do rio Vermelho, encontra minas mais volumosas. Para lá se foram os moradores da Barra, fundando em 26-VII-1.727 o arraial de Sant’Ana.
A notícia deste descobrimento causou enorme curiosidade e deu origem a uma verdadeira corrida em busca do ouro, partida principalmente de Minas Gerais, através de todas rotas possíveis. Bahia, pelo Espigão Mestre e pelo antigo Arraial de Couros (Formosa), Minas Gerais, pelo Registro dos Arrependidos, passando pelas vizinhanças de Luziânia ou por uma rota alternada, cruzando o rio Paranaíba em Santa Rita do Paranaíba (hoje Itumbiara) e daí subindo para o norte até encontrar a rota principal próximo de Itaberaí.
Já em 1.749, o rendimento por escravo apresentava-se muito baixo não mais que uma oitava por semana. Ano derradeiro em que, a Província de Goyáz pertenceu à capitania de São Paulo. A partir desta data, tornou-se Capitania independente. A população, contudo, continuou composta por negros e mulatos na sua maioria. A partir de 1.778, a produção bruta das minas de Goiás começou a declinar progressivamente em conseqüência da escassez dos metais das minas conhecidas, da ausência de novas descobertas e do decréscimo progressivo do rendimento por escravo. Assim, com o fim do ciclo do ouro, a pecuária e a agricultura passam a ser, obrigatoriamente, as atividades econômicas predominantes na região do centro oeste brasileiro. Essa nova economia e o fluxo de viajantes dinamizaram as áreas ao longo dos caminhos que levavam às minas, intensificando a produção agrícola.
O século XVIII é marcado, durante cerca de 50 anos (décadas de 1730 a 1780), os caminhos que demandavam ao interior brasileiro, que foram os mesmos dos primeiros tempos, orientados para o Centro-Sul através de São Paulo ou de Minas Gerais, como também rumo ao Rio de Janeiro. Fato que colaborou significativamente, quando em 1.739 o arraial de Sant’Ana recebe o nome de Vila Boa, permanecendo na condição de Capitania de Goyáz.
Por nossa região encontrava-se o traçado, uma rota alternativa que cruzando o rio Paranaíba, no Porto do Major Camillo ou Porto do Cahidor, (Santa Rita do Paranayba). Assim os tropeiros deslocavam com suas tropas da região central em direção ao litoral e vice-verso com a finalidade de levarem alimentos e outros tipos de produtos, dando origem ao comércio, principalmente entre os pólos Goiás, Minas e São Paulo, como já mencionado.
As primeiras povoações surgiram concomitantemente com as primeiras tropas. Numa determinada época, Goiás possuía os tropeiros como seu único meio de transporte, porque d’eles eram capazes, vencer as grandes distâncias e se adaptarem bem aos caminhos estreitos. Duas grandes contribuições se destacam: primeiro foi a comunicação através do transporte de mercadorias, cartas, bilhetes, recados, livros, revistas e jornais, desempenhando o papel de correios; segundo, contribuíram para o surgimento das cidades nos locais onde faziam seus pousos como paragens obrigatórias para o descanso e alimentação.

Um comentário:

papagaio69 disse...

Não existe presente sem passado. Passado este tão bem retratado nesta memória...e que se existe o presente hoje é porque também fazemos parte desta história. Parabéns por resgatar culturalmente a lembrança de um povo e de uma época que marca significativa a existência de nossa gente!...abraços...Leandro Peres.