domingo, 19 de outubro de 2008

Fatos que contribuíram para o desenvolvimento da região

Eurípedes Vieira de Castilho e seu quadro "Pouso das Bananeiras"

A oralidade histórica conta que:
1.860- Em virtude da facilidade em adquirir terras, pelo seu baixo valor e ótima fertilidade do solo, aos poucos, aqui foram-se instalando os primeiros moradores.
1873- Um decreto do Governo Imperial “Com o propósito de dotar a Província de Goiás de reais condições de transporte ferroviário, visando integrá-lo ao resto do território brasileiro, surge em 1873 um decreto do Governo Imperial para que tal situação seja concretizada. Dessa maneira, o então presidente da província goiana Antero Cícero de Assis, foi autorizado a contratar a construção de uma estrada de ferro para ligar a cidade de Goiás, ora capital, à margem do Rio Vermelho, partindo da estrada de ferro Mogyana.”
1.891- A Constituição de, diz no Art. 3º - “Fica pertencendo à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.000 Km2, que será oportunamente marcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal.”
1.896- Cinco anos após a promulgação da Constituição de 1891, noticia-se a chega da estrada de ferro.
1.909- Inaugura-se a Ponte Afonso Pena na divisa de Goiás com Minas Gerais (Itumbiara).
1.909- Mogyana, os trilhos da Ferrovia Paulista atingiram a cidade mineira de Araguari, é o progresso vindo em nossa direção.
1913- Goiás foi ligado à Minas Gerais pela E.F. Goiás e pela “Rede Mineira de Viação”. Inaugura uma nova fase na história da evolução do Estado de Goiás. “A idéia da Mogiana era alcançar Catalão, em Goiás (daí o nome) e dali seguir para Belém do Pará, coisa que nunca aconteceu. Na verdade, a E. F. de Goiás acabou por construir esse trecho, chegando até Goiânia e Brasília. Em 1915”.
As ferrovias passaram ocupar um papel de destaque, pois vieram contribuir positivamente no escoamento dos produtos aqui cultivados. Como a conseguinte intensificação do povoamento goiano que ligou-se a duas ordens principais: de um lado facilitou o acesso dos produtos goianos aos mercados do litoral, de outro possibilitou a ocupação de vastas áreas da região meridional de Goiás, correspondendo à efetiva ocupação agrícola e pecuária. Desta forma entre outros povoados, viria consolidar-se também a Villa de São Sebastião das Bananeiras.
A Estrada de Ferro Goiás teve a construção iniciada em 1907, sendo inaugurado o trecho inicial de Araguari, MG, a Engenheiro Bethout em 1911. Outros trechos foram construídos, como também recebidas linhas da EFOM, concluindo-se a ligação final com Anápolis em 1935.
Outro fato marcante foi a iniciativa do Padre Marinho, com a finalidade de estabelecer relações comerciais com Minas Gerais e São Paulo, utilizou como referência para fazer uma estrada, o caminho dos tropeiros. Partindo de Campinas (hoje bairro de Goiânia), rumava em direção da região a qual deu o nome de Pouso Alto (Piracanjuba), passando por Morrinhos, daí seguindo até a margem direita do rio Paranayba, chegando até o lugar onde encontrava-se instalado o Porto do Major Camillo, onde mais tarde, deu-se a construção da Ponte Afonso Pena, inaugurada em 15 de novembro de 1.909, ligando definitivamente os Estados de Goiás e Minas Gerais.

Manoel Gabinatti Espósito Espositel

Nascido por volta de 1880, natural de Paracatu-MG, de descendência italiano, concluiu o seminário em CaraçaMG apenas para satisfazer a vontade do pai. No dia em que seria ordenado a padre, recusou seus méritos, pois não era sua vocação.
Mais conhecido por Gabinatti, carregava consigo a mania de escolher nome para os lugares, foi seu hábito constante, andar mundo afora. Algumas pessoas diziam que era louco, levava consigo o ônus da desobediência do pai, ao negar receber a batina quando seminarista no Colégio de Caraça-MG. Foi contemporâneo de Artur da Silva Bernardes quando este cursava Humanidades no mencionado colégio. Era admirador Francisco Mendes Pimentel.
Pessoas mais idosa, que o conheceram, relataram que Gabinatti apareceu aqui por volta do ano de 1.920, época em que conquistou a amizade de muitos e sugeriu a mudança do nome de Bananeiras. Para muitas pessoas que exerciam liderança no local, Gabinatti afirmava que Goiatuba era uma alusão ao nome do Estado, uma homenagem à lendária tribo indígena dos Goyázes, encontrada pelos bandeirantes em tempo pretérito.
A junção do termo tupi “Gwa yá,” que quer dizer indivíduo igual, semelhante ou da mesma raça e a palavra “tuba,” quer dizer: grande, muito cheio, muita coisa. Gabinatti, sempre que aqui retornava, insistia na mudança do nome, afirmando que: “Aqui não pode mais chamar Bananeiras, tem que ser Goiatuba.” Nada traduziria melhor a cidade que o próprio e curioso significado etimológico: “Gwa yá tuba” - Muitos indivíduos da mesma raça, ou poeticamente como queria Gabinatti: “Onde Goiás é grande”.
Quem conheceu Gabinatti e o acolheu nos últimos dias de vida, afirmou que Gabinatti muito inteligente, possuía apenas algumas manias, mesmo sendo mineiro de Paracatu, não gostava de Minas Gerais. Como também ficava irritado quando alguém desmerecia sua capacidade intelectual. Responsável pelo batismo de outros municípios na nossa região, o memorável andarilho, já antevia o futuro da Villa de Bananeiras, sabia que o pequeno vilarejo , ainda que possuísse apenas três ruas, resultaria num lugar que despontaria rumo ao desenvolvimento de Goiás. Faleceu em 19 de dezembro de 1936, na fazenda Paciência e foi sepultado no Cemitério do Distrito de Tapuirama, próximo a Uberlândia-MG.

Um comentário:

Jorge disse...

visão de gabinati era impecavél,mas pena que paramos no tempo e aquela vislumbração que ele via parou até hoje,quem me dera ter vivido em seu tempo,até comprimenta-lo,não seria surpresa se até hoje chegarmos ao que ele pensava e prévia.